segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Café e cigarros

Não compreendo o que mudou. Diga-me que parte nossa se inundou. É sempre mau tempo quando estás tão distante. Agora é tudo diferente. É tudo silente. A vida segue como um cigarro aceso ao lado de um ex-fumante. Como o convite para um café do ex-amante. Como o wisky na estante. A corda do teu violão partida. A minha carta nunca lida. Teu telefonema ignorado. Tua mensagem oculta no meu livro fechado. Nosso caso é o resultado de uma insónia coletiva dos deuses. Acaso haverá maior tentação do que a dúvida? Dúvida, dádiva, dívida: tantos erros! Mas contra vontades, perspectivas e diagnósticos nossa tragicomédia continua a ser escrita. O mar afogou-nos. Inundou-se o nosso lar. Muitas águas movem o nosso manuscrito de um lado ao outro. Mas, de repente, a corda do teu violão se parte e o meu livro se fecha. Tu lês minha carta. Eu atendo teu telefonema. E do cigarro aceso ao lado faz-se o convite para um café. E o frio se vai. A chuva se esmaece. E não entendo porque nossa história nunca muda. Somos vítimas do silêncio das pedras. Filhos do oceano que nos separa.

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