sábado, 13 de outubro de 2012

Canto de esquecimento

Tu deixaste-me inventar uma nova ilusão. O mar em mim era tão revoltoso que quando encontrei as águas calmas nos olhos de um novo sol, não pude resistir. E o mar em mim não acalmou-se. As novas caravelas que passaram a atravessá-lo agitam-no tanto ou mais do que as antigas. Mas este canto não será erigido ao meu sol. Não. Este canto é de esquecimento. Quero que esqueçamos tudo o que não deveria ser esquecido. E que rememoremos, meu bem, as memórias esquecidas, as páginas apagadas. E o que nunca existiu. E o que erigimos ao nosso redor. E o que inventamos tão dentro de nós que até parece de verdade. E a minha antiga ilusão abandonar-me-á. Oh, meu céu! Por que te enublaste? As tardes foram ficando cada vez mais curtas até que, por fim, nos tornamos noite sem fim.E até as nossas tortuosidades perderam a importância que em tempos posteriores tiveram. Tão triste! Quero escrever uma nova história. Nosso enredo chegou ao final. A minha espera foi desleal conosco. Tu já nem me olhas... Hoje meu canto é de esquecimento. Perdoa-me, meu vento primaveril. O outono espera-me. E pequenos fios de ouro brincam ao meu redor.

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